terça-feira, 21 de junho de 2011

EMEI Reino Encantado - plano de ensino para AGIII-A

AGRUPAMENTO III A
PLANO DE ENSINO
Responsável: profª Irani

Dizem que mais difícil do que adquirir novos conhecimentos é conseguir desprender-se dos velhos. Abandonar uma idéia supõe renunciar a uma parte de nosso pensamento – daquele que consideramos verdade durante muito tempo – e deixar-se fascinar pelo insólito. É nesta capacidade de fascinação que reside o gérmen do progresso. (MORENO, 1999, apud ARAÚJO, 2003, p.5)
Pensando no cidadão crítico que queremos formar – cidadão com visão ampla, que saiba questionar, argumentar, reivindicar seus direitos e lutar por seus ideais – o presente Plano de Ensino terá como base a “Declaração Universal dos Direitos das Crianças” (vide abaixo – após bibliografia).

Formação Pessoal e Social
Auxiliar o Processo de Socialização;
Estimular a Construção da Autonomia;
Estimular a Construção da Identidade. Conhecimento do Mundo
Possibilitar o contato criativo, curioso e dinâmico com os objetos do conhecimento, de acordo com os interesses, necessidades e conquistas do grupo;
Propiciar a interação com o outro, facilitando a mediação com a cultura e os conhecimentos constituídos.

Eixos
Dentro destes âmbitos, destaco três eixos de trabalho que pretendo desenvolver durante o presente ano (selecionados a partir do que sugere o RCN, 1998, p.46 e da (re) leitura do Currículo em Construção, 1999), são eles: Linguagem, Movimento e Raciocínio Lógico-Matemático.
Linguagem: Desde a mais tenra idade, mesmo antes da criança começar a falar, várias situações são planejadas para desenvolver a capacidade de expressão e representação, através da expressão corporal, música, teatro, dança e artes plásticas, da brincadeira além da própria linguagem falada e escrita. A música e as artes plásticas são um universo riquíssimo como linguagem e como fonte de cultura, prazer e crescimento cognitivo, afetivo e social. Serão realizadas, então, várias atividades e projetos com música e pintura, modelagem, colagem, desenho e apreciação de obras de arte.
Movimento: brincadeiras e o movimento serão privilegiados. Além de momentos de brincadeiras livres, nos quais as crianças podem explorar suas próprias capacidades com os diversos materiais, brinquedos e espaços oferecidos, também serão resgatadas brincadeiras infantis tradicionais que envolvam a dança, a música e movimentos coordenados.
Raciocínio lógico-matemático: O raciocínio lógico e as noções matemáticas serão trabalhados aproveitando situações cotidianas, através de questionamentos e desafios apresentados pela professora: Arrumando a mesa para o lanche, combinando as regras de um jogo, brincando de faz-de-conta, as crianças se deparam com problemas lógicos e matemáticos que precisam resolver. A partir daí criam formas de registrar, comparar quantidades e estabelecer relações entre os objetos e situações.

Todo trabalho pedagógico terá como principal objetivo o “desenvolvimento infantil” levando em consideração os valores culturais que a criança já possui, e traz para a escola, ampliando e acrescentando novos conhecimentos, possibilitando a construção da autonomia, responsabilidade, formação do auto-conceito positivo, respeito, cooperação (convivência em grupo), afetividade. Contribuindo, assim, para formação da sua cidadania.

Considerando as necessidades e os interesses das crianças, todo planejamento será realizado, no decorrer do ano, levando em consideração, também, alguns objetivos específicos, sendo eles:
  • Propiciar que a criança construa uma imagem positiva de si, respeite os outros, conheça seu corpo, crie hábitos saudáveis, atue de forma independente, com confiança nas suas capacidades e perceba suas limitações;
  • Participar de atividades que promovam a interação entre seus pares;
  • Respeitar a diversidade cultural, incentivando a atitude de aceitação do outro em suas diferenças e particularidades, desde as diferenças de temperamento, habilidades e conhecimento até as diferenças de gênero, etnia, credo e social;
  • Observar e explorar o meio ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se como integrante e agente transformador do mesmo, tendo, assim, atitudes que contribuam para sua conservação;
  • Respeitar normas, regras e condutas que regem as interações sociais;
  • Utilizar linguagem (corporal, gestual, oral, simbólica, escrita, numérica, musical, visual, pictórica e plástica) ajustada a diferentes situações e intenções de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar idéias, sentimentos necessidades e desejos, avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo sua capacidade expressiva;
  • Estimular o brinquedo do faz-de-conta;
  • Estimular o gosto pela arte;
  • Estimular o gosto pela leitura, como meio de comunicação;
  • Construir histórias espontâneas, ou com modelos já contados (oralmente, ou através de desenhos livres);
  • Demonstrar escrita, pintura e desenho utilizando o próprio dedo, lápis, pincéis, giz de cera e outros materiais;
  • Colocar a criança em contato com diferentes gêneros literários (poesias, contos e fábulas) e um bom repertório de textos que fazem parte do universo infantil (revista em quadrinhos, panfletos, bilhetes, jornal, revista, rótulos, cartazes, cartas, receitas culinárias, provérbios, parlendas, etc...), auxiliando, assim, na “apropriação da leitura e da escrita em suas funções sociais” (cf SOARES, 2002.)

Darei continuidade, também neste ano, o trabalho com a mascote da turma, pois o mesmo tem oportunizado muitas aprendizagens como: cuidado, responsabilidade, afetividade, integração família e escola, etc. Abrindo, assim, um diálogo entre os pares. E a escolha da mascote será feita pelas crianças.

Como será feita avaliação
Como um instrumento que será utilizado, somente, para favorecer a aprendizagem e ampliação dos conhecimentos da criança, a avaliação será contínua e apontará as conquistas obtidas.
Os instrumentos metodológicos da avaliação serão: observação, registro e reflexão – “que constituem nos principais instrumentos de que o professor dispõe para apoiar sua prática” (RCN, 1998, p.58), e de acordo com o Currículo em Construção (1999, p.64): “A avaliação permite conhecer o processo educativo de construção individual e do grupo, determinando os aspectos positivos e as falhas, em relação ao que se tenha proposto alcançar, levando, se necessário a um replanejamento”

Proposta Pedagógica
Como especificado no Plano de Ensino, esta Proposta Pedagógica terá como temática a “Declaração Universal dos Direitos das Crianças”.
Sabemos que as crianças têm muitos direitos, porém nem sempre eles são garantidos, visto que muitas vezes a população nem têm consciência dos mesmos.
Sendo assim, há algum tempo venho percebendo a necessidade de mostrar as crianças, e seus familiares, o que a lei pode garantir as mesmas – Isto levando em conta que a educação infantil deve valorizar a criança como um todo – E nós, enquanto educadores que somos, temos o dever de proteger, respeitar e valorizar nossas crianças, pois não devemos esquecer que elas serão o nosso futuro.
A iniciativa de trabalhar este tema tem o objetivo apenas de esclarecimento as crianças e seus familiares, e o trabalho será realizado de uma maneira prazerosa, com ilustrações, livros, músicas poesias, pesquisas, etc. Não devendo jamais gerar conflitos entre pares.
As atividades pedagógicas serão realizadas em um ambiente agradável, acolhedor, repleto de estímulos, afeto, respeito, confiança e oportunidades que favoreçam o descobrir, o experimentar e o brincar de modo prazeroso e constante, com ações educativas lúdicas que transmitam segurança, criem vínculos e sejam ricas ajudando, assim, no desenvolvimento das habilidades motoras, cognitivas, afetivas das crianças. As mesmas serão planejadas levando em conta a curiosidade, os interesses, a importância e os modos de pensar e agir das crianças.
Sabemos que a aprendizagem surge das descobertas e a curiosidade natural do indivíduo pelo mundo que o cerca. Portanto, a criança precisa de condições para experimentar, criar, construir e expressar-se.
Todo trabalho pedagógico será organizado a partir do planejamento por “Projetos de Trabalho”. Esses projetos serão realizados em cooperação, através da participação de todos. E com base no tema principal (Direitos das Crianças) decidiremos quais sub-temas iremos trabalhar no decorrer do ano.
As crianças atuarão de forma autônoma no ambiente, intencionalmente arranjado, e serão mediadas pela participação da professora. Nas atividades, o adulto terá a função de dar uma atenção diferenciada a cada criança, de acordo com suas necessidades e também, promover a interação do grupo, através de atividades que estimulem o trabalho em pares para a construção do conhecimento.
Estas atividades também serão inspiradas no livro ROCHA, Ruth, “Os Direitos das Crianças”, e segundo a autora:
Todas as crianças têm direito a um nome, a uma casa, a comida e estudo. Mas também têm direito a ouvir histórias, andar na chuva e brincar de adivinhação – afinal, a infância é o tempo em que começamos a perceber o tamanho do mundo e descobrir quem somos. Inspirada nas idéias de igualdade universal – e também nas brincadeiras e emoções que só as crianças conhecem – Ruth Rocha escreveu um livro de poesia sobre aquilo que não pode faltar durante a infância. O poema começa dizendo que “toda criança tem de ser bem protegida contra os rigores do tempo, contra os rigores da vida”. Ruth Rocha constrói seu texto brincando com o conceito de direitos da criança – não apenas aqueles que a lei assegura, mas também os que só muita liberdade, brincadeira e alegria podem garantir: direito a correr na beira do mar, a ver uma estrela cadente, filme que tenha robô, ganhar um lindo presente, ouvir histórias do avô”. Em Os direitos das crianças segundo Ruth Rocha, a alegria é a lei maior. Como diz a autora nos últimos versos do livro, “embora eu não seja rei, decreto, neste país, que toda, toda criança, tem direito a ser feliz!”

Como será a organização do espaço
As atividades diárias serão combinadas no início da aula na “roda da conversa”, onde serão realizadas atividades do cotidiano como: chamada, contação de histórias, músicas e outras. Logo após, as crianças se dirigirão aos “cantinhos” previamente combinados na roda. O entrelaçamento da utilização dos “cantinhos” das brincadeiras, com o desenvolvimento dos “Projetos” é sem dúvida um rico espaço de desenvolvimento e de aprendizagem para as crianças, pois com estes a criança poderá por pra fora tudo o que está vivenciando.

Integração Família X Escola. Os pais precisam conhecer o trabalho escolar, criar uma relação de confiança com a professora de seu filho e com a escola como um todo e, por outro lado, as crianças precisam sentir uma “sintonia” entre o que vivenciam em casa e na escola, percebendo que seus pais a levam com segurança e tranqüilidade para esse ambiente. Durante o decorrer do ano letivo a participação dos pais será muito importante para o bom desenvolvimento dos “projetos”. Haverá, então, muitas trocas e a certeza de que estaremos plantando na criança a sementinha do “Cidadão de Amanhã”.

Referências Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. (RCN) Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.
CAMPINAS. Rede Municipal de Educação Infantil. Currículo em Construção. Campinas: SME, 1999.
CARVALHO, Campos de e RUBIANO, M. R. B. Organização do espaço em instituições pré-escolares. In: OLIVEIRA, Zilma de Moraes R. de (Org.). Educação infantil: muitos olhares. São Paulo: Cortez, 1998.
HERNÁNDEZ, Fernando. Os Projetos de Trabalho: um mapa para navegantes em mares de incertezas. Revista de Educação, 2000.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

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Declaração Universal dos Direitos da Criança

1º Princípio: Todas as crianças são credoras destes direitos, sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, condição social ou nacionalidade, quer sua ou de sua família.

2º Princípio: A criança tem o direito de ser compreendida e protegida, e devem ter oportunidades para seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e normal e em condições de liberdade e dignidade. As leis devem levar em conta os melhores interesses da criança.

3º Princípio: Toda criança tem direito a um nome e a uma nacionalidade.

4º Princípio: A criança tem direito a crescer e criar-se com saúde, alimentação, habitação, recreação e assistência médica adequadas, e à mãe devem ser proporcionados cuidados e proteção especiais, incluindo cuidados médicos antes e depois do parto.

5º Princípio: A criança incapacitada física ou mentalmente tem direito à educação e cuidados especiais.

6º Princípio: A criança tem direito ao amor e à compreensão, e deve crescer, sempre que possível, sob a proteção dos pais, num ambiente de afeto e de segurança moral e material para desenvolver a sua personalidade. A sociedade e as autoridades públicas devem propiciar cuidados especiais às crianças sem família e àquelas que carecem de meios adequados de subsistência. É desejável a prestação de ajuda oficial e de outra natureza em prol da manutenção dos filhos de famílias numerosas.

7º Princípio: A criança tem direito à educação, para desenvolver as suas aptidões, sua capacidade para emitir juízo, seus sentimentos, e seu senso de responsabilidade moral e social. Os melhores interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais. A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.

8º Princípio: A criança, em quaisquer circunstâncias, deve estar entre os primeiros a receber proteção e socorro.

9º Princípio: A criança gozará proteção contra quaisquer formas de negligência, abandono, crueldade e exploração. Não deve trabalhar quando isto atrapalhar a sua educação, o seu desenvolvimento e a sua saúde mental ou moral.

10 º Princípio: A criança deve ser criada num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal e em plena consciência que seu esforço e aptidão devem ser postos a serviço de seus semelhantes.

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Os Direitos das Crianças
Ruth Rocha

Toda criança no mundoDeve ser bem protegidaContra os rigores do tempoContra os rigores da vida.Criança tem que ter nome
Criança tem que ter larTer saúde e não ter fomeTer segurança e estudar.Não é questão de quererNem questão de concordarOs diretos das criançasTodos tem de respeitar.Tem direito à atençãoDireito de não ter medosDireito a livros e a pãoDireito de ter brinquedos.Mas criança também temO direito de sorrir.Correr na beira do mar,Ter lápis de colorir...Ver uma estrela cadente,Filme que tenha robô,Ganhar um lindo presente,Ouvir histórias do avô.Descer do escorregador,Fazer bolha de sabão,Sorvete, se faz calor,Brincar de adivinhação.
Morango com chantilly,Ver mágico de cartola,O canto do bem-te-vi,Bola, bola, bola, bola!Lamber fundo da panelaSer tratada com afeiçãoSer alegre e tagarelaPoder também dizer não!Carrinho, jogos, bonecas,Montar um jogo de armar,Amarelinha, petecas,E uma corda de pular.Um passeio de canoa,Pão lambuzado de mel,Ficar um pouquinho à toa...Contar estrelas no céu...Ficar lendo revistinha,Um amigo inteligente,Pipa na ponta da linha,Um bom dum cachorro-quente.Festejar o aniversário,Com bala, bolo e balão!Brincar com muitos amigos,Dar pulos no colchão.Livros com muita figura,Fazer viagem de trem,Um pouquinho de aventura...Alguém para querer bem... Festinha de São João,Com fogueira e com bombinha,Pé-de-moleque e rojão,Com quadrilha e bandeirinha.Andar debaixo da chuva,Ouvir música e dançar.Ver carreiro de saúva,Sentir o cheiro do mar.Pisar descalça no barro,Comer frutas no pomar,Ver casa de joão-de-barro,Noite de muito luar.Ter tempo pra fazer nada,Ter quem penteie os cabelos,Ficar um tempo calada...Falar pelos cotovelos.E quando a noite chegar,Um bom banho, bem quentinho,Sensação de bem-estar...De preferência um colinho.Uma caminha macia,Uma canção de ninar,Uma história bem bonita,Então, dormir e sonhar...Embora eu não seja rei,Decreto, neste país,Que toda, toda criançaTem direito a ser feliz!

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